C3SL fortalece SouUFPR com novas funcionalidades

Seminário interno detalha aprimoramentos com integração de serviços e próximos passos do aplicativo da UFPR voltado à comunidade acadêmica
O Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizou na última segunda-feira (13) um seminário interno para apresentar o andamento e os próximos passos do SouUFPR, aplicativo que reúne, em uma única interface, serviços e informações essenciais para a comunidade universitária. O evento foi conduzido pelo professor do Departamento de Informática (Dinf) e pesquisador do C3SL, Eduardo Todt, coordenador do projeto, junto aos pesquisadores de graduação Juliana Zambon e Pedro Schima, integrantes da equipe de desenvolvimento.
O SouUFPR foi concebido como uma solução integrada para facilitar o acesso da comunidade acadêmica a diferentes serviços institucionais. Segundo o coordenador do projeto, Eduardo Todt, a proposta é reunir, em um único ambiente, informações e funcionalidades que fazem parte do cotidiano universitário.
“O SouUFPR se alinha com a estratégia digital da universidade no sentido de ampliar e facilitar o acesso à informação. O aplicativo busca atender a demanda da comunidade universitária por uma forma simples e integrada de encontrar informações úteis, como o cardápio dos RUs, itinerário dos ônibus intercampi, carteirinha de estudante UFPR, mapas dos campi e serviços existentes em cada um. Além disso, oferece acesso às telas de login dos sistemas SIGA, Participa UFPR, UFPR Virtual e biblioteca virtual. Também foi implementada integração com o Instagram da universidade”, destaca o professor.
Durante o seminário, foram apresentados avanços recentes no aplicativo, incluindo melhorias de interface, reorganização da navegação e novas funcionalidades, como personalização de atalhos, integração com mapas e rastreamento em tempo real do transporte intercampi. De acordo com Todt, o aplicativo segue em expansão, com foco em usabilidade, acessibilidade e ampliação de serviços.
“O projeto está em contínua evolução. Novo projeto da interface com usuário melhorará usabilidade e acessibilidade. Estamos testando sistema de localização em tempo real dos ônibus intercampi, que permitirá saber onde está cada ônibus a cada momento. Atualmente está disponível em fase experimental no intercampi II. Também será oferecido planejamento de rotas nos campi e indicação de como ir de um campus a outro. Estamos desenvolvendo versões para disponibilização do aplicativo nas lojas da Apple e Google. Na sequência será desenvolvida autenticação integrada com ou outros sistemas, como SIGA e UFPR Virtual, dispensando múltiplos logins”, afirma.
Arquitetura e integração dos sistemas
Do ponto de vista técnico, o SouUFPR opera a partir de uma arquitetura baseada em APIs, que permite a integração com diferentes sistemas institucionais de forma segura e escalável.
“A comunicação entre o front-end e os serviços de dados da universidade é estabelecida por meio do consumo da SouUFPR API via arquitetura REST, utilizando o formato JSON para o intercâmbio de informações. Esse processo é operacionalizado pelo Axios, que gerencia as requisições assíncronas e garante a fluidez da interface durante a busca de dados. No que tange à segurança, a integração é fundamentada no protocolo OAuth2 mediado pelo Keycloak, sistema responsável por centralizar a autenticação. Esse fluxo utiliza tokens JWT (JSON Web Tokens) para validar a identidade do usuário e autorizar o acesso aos recursos, assegurando que cada interação entre o aplicativo e os serviços externos ocorra sob proteção e conformidade técnica.”
Juliana também destacou a importância da organização do fluxo de desenvolvimento, especialmente com a separação entre ambientes. “Com a separação entre os ambientes de homologação e produção, o fluxo de desenvolvimento tornou-se muito mais robusto e menos propenso a falhas. O gerenciamento de variáveis de ambiente permite que o mesmo código se comporte de maneira distinta e aponte para diferentes endpoints dependendo do estágio do ciclo de vida em que se encontra, garantindo uma transição suave e segura para os usuários finais”, explica.
Outro eixo central do projeto é a expansão do SouUFPR para aplicativos móveis distribuídos nas lojas oficiais, movimento que marca uma nova etapa no desenvolvimento da plataforma. A estratégia adotada pela equipe combina o uso de tecnologias web com acesso a recursos nativos dos dispositivos, permitindo ganhos em eficiência e manutenção sem abrir mão da experiência do usuário. “A utilização do Capacitor tem se mostrado uma escolha estratégica acertada. A lógica de “native bridge” permite que o código escrito em tecnologias web acesse recursos de hardware de forma eficiente, eliminando a necessidade de manter e sincronizar bases de código distintas para Android e iOS. Embora existam limitações inerentes ao desempenho da WebView em tarefas de altíssimo processamento gráfico e a necessidade eventual de depuração em ferramentas específicas como Android Studio ou Xcode, a vantagem de reaproveitar a lógica de negócios e a interface já desenvolvidas compensa amplamente esses desafios, acelerando o tempo de entrega e facilitando a manutenção contínua”, diz Juliana.
Essa decisão, no entanto, também traz novas exigências relacionadas à qualidade e conformidade dos aplicativos, conforme reforça a pesquisadora do C3SL: “Essa abordagem traz desafios no que diz respeito à conformidade e distribuição. Por ser compilado como um binário padrão de cada plataforma, o aplicativo é submetido ao mesmo rigor de revisão e às diretrizes estritas das lojas oficiais, como Google Play e Apple App Store. Isso exige que estejamos atentos não apenas à funcionalidade do código, mas também às políticas de privacidade e ao design de interface, respeitando as diretrizes específicas de cada loja. Assim, o desafio reside em equilibrar a agilidade do desenvolvimento com a responsabilidade técnica de entregar um produto que se comporte e seja tratado pelo sistema operacional com a mesma performance e segurança de um software desenvolvido nativamente. Portanto, trata-se de uma escolha de arquitetura que exige o mesmo nível de profissionalismo e rigor que o desenvolvimento nativo puro”.